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Quando o assunto é memória, a solução é desenhar

Amarrar uma fita no dedo, pensar em alguma coisa enquanto você ouve um som específico, repetir a mesma palavra por 10 vezes, associá-la a uma imagem ou fazer tudo isso ao mesmo tempo, enquanto você caminha… não importa qual seja, você certamente já ouviu falar sobre técnicas para se lembrar das coisas. Atualmente, existem diversas formas, simpatias, ou como você quiser chamar, para não se esquecer de algo importante. Uma busca rápida no Google nos mostra os mais variados títulos, como “Como se lembrar de algo que você esqueceu: 13 passos”, “8 truques imbatíveis para se lembrar de tudo” e “Técnicas para memorizar coisas que você aprende”, mas o que esses truques têm em comum?

Todas eles falam – com outras palavras – sobre repetição e estímulos multissensoriais, dois velhos amigos do Neuromarketing que fazem sucesso quando o assunto é memorização, um dos mais importantes e complexos fenômenos do nosso cérebro. As memórias podem ser classificadas em vários tipos e se formam de maneira complexa, mas esse assunto fica para outro texto. A ideia aqui é contar um pouco mais sobre um estudo recente, publicado no Quarterly Journal of Experimental Psychology, que mostrou que desenhar informações pode ser uma excelente estratégia para não se esquecer delas.

De acordo com Jeffrey Wammes, pesquisador da Universidade de Waterloo, o processo de desenhar informações foi comparado a diversas outras estratégias de memorização e os resultados foram sempre superiores para o primeiro. O grupo de pesquisadores de neurociência envolvido com o estudo acredita que os benefícios acontecem porque o ato de desenhar ajuda na formação de uma memória mais coesa, que integra informações visuais, motoras e semânticas.

Durante o estudo, os participantes foram apresentados a uma lista que continha palavras fáceis de desenhar, como “maçã”. Eles tiveram 40 segundos para desenhar uma representação de cada palavra ou para escrevê-la repetidamente quantas vezes fosse possível. Após essa primeira tarefa, eles passaram por uma tarefa de classificação de tons musicais, que facilitava a retenção das informações. Por fim, cada participante teve que tentar se lembrar do maior número de palavras que conseguisse, em 60 segundos.

De acordo com Wammes, o recall para as palavras que foram desenhadas foi muito maior que para as palavras que foram que foram escritas repetidas vezes. Na verdade, o número de palavras desenhadas que foram lembradas foi maior que o dobro das palavras escritas que foram lembradas. Essa vantagem foi chamada de “o benefício do desenho”.

Em outra variação do experimento, estudantes foram instruídos a desenhar representações de palavras ou a adicionar detalhes visuais, como sombras ou rabiscos, às letras das palavras escritas. Mais uma vez, o recall foi maior para as palavras que foram transformadas em desenhos do que para as outras alternativas.

Quando o assunto é memória de longo prazo, desenhar leva uma vantagem muito grande. Se você quiser se lembrar de uma palavra, é muito mais eficiente desenhá-la do que listar suas características físicas, criar imagens mentais ou tentar associar a palavra a algum objeto mentalmente.

Complementando às conclusões de seu estudo, Wammes comenta que a qualidade dos desenhos não parece influenciar a qualidade da memória.  Por isso, ele sugere que qualquer pessoa pode se beneficiar dessa estratégia para se lembrar de algo, independente do talento artístico da pessoa.

Embora o “efeito do desenho” tenha se provado efetivo nos testes, esses experimentos foram realizados apenas com palavras únicas e não com frases ou ideias mais complexas. Agora, os pesquisadores estão tentando provar porque esse efeito é tão potente e como ele pode ser aplicado a outros tipos de informações.

Sem dúvidas, a Neurociência pode contribuir com vários insights sobre o processo de memorização. Insights que vão muito além de como se lembrar de um objeto ou de uma ideia. Na verdade, através da análise de padrões de ondas cerebrais, já conseguimos entender inclusive quais são as melhores estratégias de comunicação para o consumidor lembrar da sua marca ou da sua campanha publicitária. Quer saber mais sobre as estratégias que te ajudam a ficar na memória do consumidor? Então confira o post 5 dicas do Neuromarketing para a criação de campanhas publicitárias.

Fonte: The Quarterly Journal of Experimental Psychology

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